quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Epístola 12 – “O incoformismo”

[Nota: As epístolas são textos que possuem continuidade e ordem cronológica. Portanto, para que você possa entender, leia as epístolas anteriores aqui]



Eu não esperava. Não depois da sua última resposta. Mas seu silêncio já anunciava que as coisas haviam mudado.

É, talvez eu já soubesse. Talvez eu tenha me aberto muito na última epístola. Talvez o seu interesse tenha acabado. Talvez o que você precisava saber eu já tivesse ensinado. Talvez o que você poderia me responder você já o tivesse feito.

Talvez...

A empolgação do início se transformou em uma letargia sem fim. Chegamos a um ponto em que mais nada há para ser dito. Você cresceu, tornou-se alguém mais forte enquanto eu aprendi a deixar de ser Deus e a colocar-me na posição humana.

E como humana, tenho que te dizer que não aceito. Não quero ir embora, não quero que me abandone. O apego era meu, a loucura era minha. Era eu quem precisava de você e ainda preciso.

Pense, reconsidere. Você terá todo o tempo que quiser. Mas me responda. Não me deixe com essa angústia que me assola a alma.

A remetente

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Espaço reservado para a propaganda

PARA OS FÃS DE FAITH NO MORE:



Ficamos sabendo que os chilenos estão fazendo uma petição para que o Faith No More termine sua turnê lá em 2010. Então tivemos a idéia de nos unirmos e fazer uma petição maior incluindo toda a América do Sul para aumentar as chances da banda voltar.

Assinem:
http://www.gopetition.com/online/32126.html

- Algumas considerações:

1) Divulguem isso.

2)Quem conhecer sites, blogs, flogs do FNM ou mesmo pessoas de países sulamericanos interessadas na banda, me manda para eu entrar em contato e divulgar a petição.

3) IMPORTANTE: Quem tiver contato com pessoas de produtoras daqui ou quem contrata shows, por favor ajude com a petição porque eu não tenho esse tipo de contato e mais do que isso eu não posso fazer.

[Lembrando que não é a petição em si que pode trazer uma banda, mas toda a movimentação dos fãs para chamar a atenção da banda e de quem contrata os shows. Então vamos nos mexer e chamar a atenção. A petição é o primeiro passo]

PARA OS FÃS DE NINE INCH NAILS:



Siga o perfil do site brasileiro do Nine Inch Nails e receba notícias em português sobre a banda pelo twitter:

http://twitter.com/nin_br


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http://www.nineinchnails.com.br
http://www.ninbr.blogspot.com

domingo, 15 de novembro de 2009

Passado

Sabe o que mais me envergonha em relação ao meu passado?
A ausência dele.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

“María de mi corazón”

“Hace unos años, le conté un episodio de la vida real al director mexicano de cine Jaime Humberto Hermosillo, con la esperanza de que lo convirtiera en una película, pero no me pareció que le hubiera llamado la atención. Dos meses después, sin embargo, vino a decirme sin ningún anuncio previo que ya tenia el primer borrador del guión, de modo que seguimos trabajándolo juntos hasta su forma definitiva. (…)

María – la protagonista – era en la vida real una muchacha de unos veinte-cinco años, recién casada con un empleado de los servicios públicos. Una tarde de lluvias torrenciales, cuando viajaba sola por una carretera solitaria, su automóvil se descompuso. Al cabo de una hora de señas inútiles a los vehículos que pasaban, el conductor de un autobús se compadeció de ella. No iba muy lejos, pero a María le bastaba con encontrar un sitio donde hubiera un teléfono para pedir a su marido que viniera buscarla. Nunca se habría ocurrido que en aquel autobús de alquiler, ocupado por completo por un grupo de mujeres atónitas, había empezado para ella un drama absurdo e inmerecido que le cambió la vida para siempre.

Al anochecer, todavía bajo la lluvia persistente, el autobús entró en el patio empedrado de un edificio enorme y sombrío, situado en el centro de un parque natural. La mujer responsable de las otras la hizo descender con órdenes un poco infantiles, como si fueran niñas de escuela. Pero todas eran mayores, demacradas y ausentes, y se movían con una andadura que no parecía de este mundo. María fue la última que descendió sin preocuparse de la lluvia, pues, de todos modos, estaba empapada hasta el alma. (…) Hasta este momento, María no se había dado cuenta de que aquellas mujeres eran 32 enfermas pacíficas trasladadas de alguna ciudad, y que en realidad se encontraba en un asilo de locas.”


[GARCIA MARQUEZ, Gabriel. El país. 5 de mayo. 1981.]

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Prece Cósmica

Que os 4
como num teatro
conservem a mão
sem nenhum gesto
que o vinho quente
do coração
lhes suba à cabeça
espessa.
Que do bolso de
cada um dos 4
como num teatro
voem pombas
(pombas brancas
...e amanheça)

[Secos & Molhados]

domingo, 25 de outubro de 2009

Saturno veio me cobrar

Aquele porco fascista.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

“O Ventre Seco“

[Por Raduan Nassar]

1. Começo te dizendo que não tenho nada contra manipular, assim como não tenho nada contra ser manipulado; ser instrumento da vontade de terceiros é condição da existência, ninguém escapa a isso, e acho que as coisas, quando se passam desse jeito, se passam como não poderiam deixar de passar (a falta de recato não é minha, é da vida). Mas te advirto, Paula: a partir de agora, não conte mais comigo como tua ferramenta.

2. Você me deu muitas coisas, me cumulou de atenções (excedendo-se, por sinal), me ofereceu presentes, me entregou perdulariamente o teu corpo, tentou me arrastar pra lugares a que acabei não indo, e, não fosse minha feroz resistência, até pessoas das tuas relações você teria dividido comigo. Não quero discutir os motivos da tua generosidade, me limito a um formal agradecimento, recusando contudo, a todo risco, te fazer a credora que pode ainda chegar e me cobrar: "você não tem o direito de fazer isso". Fazer isso ou aquilo é problema meu, e não te devo explicações.

3. Nem foi preciso fazer um voto de pobreza, mas fiz há muito o voto de ignorância, e hoje, beirando os quarenta, estou fazendo também o meu voto de castidade. Você tem razão, Paula: não chego sequer a conservador, sou simplesmente um obscurantista. Mas deixe este obscurantista em paz, afinal, ele nunca se preocupou em fazer proselitismo.

4. E já que falo em proselitismo, devo te dizer também que não tenho nada contra esse feixe de reivindicações que você carrega, a tua questão feminista, essa outra do divórcio, e mais aquela do aborto, essas questões todas que "estão varrendo as bestas do caminho". E quando digo que não tenho nada contra, entenda bem, Paula, quero dizer simplesmente que não tenho nada a ver com tudo isso. Quer saber mais? Acho graça no ruído de jovens como você. Que tanto falam em liberdade? É preciso saber ouvir os gemidos da juventude: em geral, vocês reclamam é pela ausência de uma autoridade forte, mas eu, que nada tenho a impor, entenda isso, Paula, decididamente não quero te governar.
5. Sem suspeitar da tua precária superioridade, mais de uma vez você me atirou um desdenhoso "velho" na cara. Nunca te disse, te digo porém agora: me causa enjôo a juventude, me causa muito enjôo a tua juventude, será que preciso fazer um trejeito com a boca pra te dar a idéia clara do que estou dizendo? É bastante tranqüilo este depoimento, é sossegado, ao fazê-lo, me acredite, Paula, não me doem os cotovelos. Está muito certa aquela tua amiga frenética quando te diz que sou "incapaz de curtir gentes maravilhosas". Sou incapaz mesmo, não gosto de "gentes maravilhosas", não gosto de gente, para abreviar minhas preferências.

6. Você me levava a supor às vezes que o amor em nossos dias, a exemplo do bom senso em outros tempos, é a coisa mais bem dividida deste mundo. Aliás, só mesmo uma perfeita distribuição de afeto poderia explicar o arroubo corriqueiro a que todos se entregam com a simples menção deste sentimento. Um tanto constrangido por turvar a transparência dessa água, há muito que queria te dizer: vá que seja inquestionável, mas tenho todas as medidas cheias dos teus frívolos elogios do amor.

7. Farto também estou das tuas idéias claras e distintas a respeito de muitas outras coisas, e é só pra contrabalançar tua lucidez que confesso aqui minha confusão, mas não conclua daí qualquer sugestão de equilíbrio, menos ainda que eu esteja traindo uma suposta fé na "ordem", afinal, vai longe o tempo em que eu mesmo acreditava no propalado arranjo universal (que uns colocam no começo da história, e outros, como você, colocam no fim dela), e hoje, se ponho o olho fora da janela, além do incontido arroto, ainda fico espantado com este mundo simulado que não perde essa mania de fingir que está de pé.
8. Você pode continuar falando em nome da razão, Paula, embora até o obscurantista, que arranja (ironia!) essas idéias, saiba que a razão é muito mais humilde que certos racionalistas; você pode continuar carreando areia, pedra e tantas barras de ferro, Paula, embora qualquer criança também saiba que é sobre um chão movediço que você há de erguer teu edifício.

9. Pense uma vez sequer, Paula, na tua estranha atração por este "velho obscurantista", nos frêmitos roxos da tua carne, nessa tua obsessão pelo meu corpo, e, depois, nas prateleiras onde você arrumou com criterioso zelo todos os teus conceitos, encontre um lugar também para esta tua paixão, rejeitada na vida.

10. Sabe, Paula, ainda que sempre atenta à dobra mínima da minha língua, assim como ao movimento mais ínfimo do meu polegar, fazendo deste meu canto o ateliê do desenhista que ia no dia-a-dia emendando traço com traço, compondo, sem ser solicitada, o meu contorno, me mostrando no final o perfil de um moralista (que eu nunca soube se era agravo ou elogio), você deixou escapar a linha mestra que daria caráter ao teu rabisco. Estou falando de um risco tosco feito uma corda e que, embora invisível, é facilmente apreensível pelo lápis de alguns raros retratistas; estou falando da cicatriz sempre presente como estigma no rosto dos grandes indiferentes.

11. Não tente mais me contaminar com a tua febre, me inserir no teu contexto, me pregar tuas certezas, tuas convicções e outros remoinhos virulentos que te agitam a cabeça. Pouco se me dá, Paula, se mudam a mão de trânsito, as pedras do calçamento ou o nome da minha rua, afinal, já cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho, dou-lhe o meu silêncio.

12. No pardieiro que é este mundo, onde a sensibilidade, como de resto a consciência, não passa de uma insuspeitada degenerescência, certos espíritos só podiam mesmo se dar muito mal na vida; mas encontrei, Paula, esquivo, o meu abrigo: coração duro, homem maduro.

13. Não me telefone, não estacione mais o carro na porta do meu prédio, não mande terceiros me revelarem que você ainda existe, e nem tudo o mais que você faz de costume, pois recorrendo a esses expedientes você só consegue me aporrinhar. Versátil como você é, desempenhe mais este papel: o de mulher resignada que sai de vez do meu caminho.

14. Entenda, Paula: estou cansado, estou muito cansado, Paula, estou muito, mas muito, mas muito cansado, Paula. (Teu baby-doll, teus chinelos, tua escova de dentes, e outros apetrechos da tua toalete, deixei tudo numa sacola lá embaixo, é só mandar alguém pegar na portaria com o zelador.)

15. Ainda: "a velha aí do lado", a quem você se referia também como "a carcaça ressabiada", "o pacote de ossos", "a semente senil" e outras expressões exuberantes que o teu talento verbal sempre é capaz de forjar mesmo para falar das coisas mirradas da vida, nunca te revelei, Paula, te revelo agora: "aquele ventre seco" é minha mãe, faz anos que vivemos em kitchenettes separadas, ainda que ao lado uma da outra. Não seja tola, Paula, não estou te recriminando nada, sempre assisti com indiferença aos arremedos que você fazia da "bruxa velha, preparando a poção pra envenenar nossas relações". Te digo mais: você talvez tivesse razão, é provável que ela vivesse a espreitar minha porta das sombras da escadaria, é provável que ela do fundo dos corredores te olhasse "de um jeito maligno", é provável ainda que ela, matreira dentro do seu cubículo, te alcançasse todas as vezes que você saía através do olho mágico da sua porta. Mas contenha, Paula, a tua gula: você que, além de liberada e praticada, é também versada nas ciências ocultas dos tempos modernos, não vá lambuzar apressadamente o dedo na consciência das coisas; não fiz a revelação como quem te serve à mesa, não é um convite fecundo a interpretações que te faço, nem minha vida está pedindo esse desperdício. Quero antes lembrar o que minha mãe te dizia quando você, ao cruzar com ela, e "só pra tirar um sarro", perguntava maliciosamente por mim, te sugerindo eu agora a mesma prudência, se acaso amanhã teus amigos quiserem saber a meu respeito. Você pode dispensar "a ridícula solenidade da velha", mas não dispense o seu irrepreensível comedimento, responda como ela invariavelmente te respondia: "não conheço esse senhor".

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Maquinária Festival 2009



Está chegando!

07/11/09

FAITH NO MORE
JANE’S ADDICTION
DEFTONES
SEPULTURA
NAÇÃO ZUMBI


Eu nem esperava por esse festival quando escrevi isso. Não esperava também pelo cancelamento indecoroso do Depeche Mode nem do Nitzer Ebb. O mundo dá voltas e isso me dá medo.

http://www.maquinariafestival.com
http://twitter.com/MaquinariaFest

... Ah e o Maquinária ocorrerá no dia 08/11 também, mas as bandas que vão tocar nesse dia não me interessam.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Hoje eu chorei

Porém foi só um pouco, pois logo me entreti com alguma coisa que não me lembro o que era, mas que me tirou de perto de mim.

Está sendo difícil estar ao meu lado nesses últimos meses.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

The Red Queen



You are fire.
Your dress is fire...
You are fire.
Your dress is fire...
You are fire.
Your dress is fire...
You are fire.
Your dress is black...
Which of these two fires can I endure?
(…)
You are fire.
You’re dressed in black…


[The Color of Pomegranates / Sayat Nova]

domingo, 4 de outubro de 2009

Gracias a La Vida

Hoje morreu Mercedes Sosa, uma das minhas cantoras favoritas.

Vídeo de Mercedes Sosa cantando "Gracias a La Vida", uma canção da cantora chilena Violeta Parra, que também já se foi:

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Vênus se foi.

Fugiu com Netuno, aquela vaca.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Surround me with your love

3-11 Porter - Surround me with your love

domingo, 27 de setembro de 2009

Só a imagem define o sentimento

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Faço minhas as palavras dele:

“Não criei personagens. Tudo o que escrevo é autobiográfico. Porém, não expresso minhas emoções diretamente, mas por meio de fábulas e símbolos. Nunca fiz confissões. Mas cada página que escrevi teve origem em minha emoção”.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Divisa

Mais importante do que a ciência é o seu resultado,
Uma resposta provoca uma centena de perguntas.

Mais importante do que a poesia é o seu resultado,
Um poema invoca uma centena de atos heróicos.

Mais importante do que o reconhecimento é o seu resultado,
O resultado é dor e culpa.

Mais importante do que a procriação é a criança.
Mais importante do que a evolução da criação é a evolução do criador.

Em lugar de passos imperativos, o imperador.
Em lugar de passos criativos, o criador.


Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face.
E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhos

e colocá-los-ei no lugar dos meus;
E arrancarei meus olhos
para colocá-los no lugar dos teus;
Então ver-te-ei com os teus olhos
E tu ver-me-às com os meus.

Assim, até a coisa comum serve o silêncio
E nosso encontro permanece a meta sem cadeias:
O lugar indeterminado, num tempo indeterminado,
A palavra indeterminada para o Homem indeterminado.


["Einladung zu einer Begegnung" - Jacob Levy Moreno]

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Matilde

“Matilde estava deitada na sala lendo uma revista. Usava um maiô branco que ressaltava a proeminência dos mamilos. Por entre as pernas abertas deixava escapar um tufo de pelos negros e rebeldes que evidenciavam toda a sua feminilidade”.

[Imagem: um pequeno regalo da minha amiga Hannalee Motta]

Matilde é um ser notívago que sai às ruas para exibir-se ostentosamente junto aos tipos mais peculiares e extravagantes da noite.

Uma mulher decidida, independente, dinâmica e moderna. É o retrato da mulher contemporânea, sem vergonha e sem pudor, que conta piada pelada e chupa de olho aberto; que brinca de menina-moça – ora com inocência, ora com toda malícia que lhe confere o título de “mulher mais perversa do universo”.

Essa é Matilde e definitivamente, ela sabe o que quer.

domingo, 30 de agosto de 2009

Epístola 11 - "A incerteza"

[Nota: As epístolas são textos que possuem continuidade e ordem cronológica. Portanto, para que você possa entender, leia as epístolas anteriores aqui]


Você demorou. Demorou tanto que pensei que não quisesse mais me ter. Pensei em escrever novamente, pensei em não escrever mais. Pensei tantas coisas. Pensei que tudo isso acabaria na ultima carta, principalmente quando vi que os meses estavam se passando e nenhuma resposta havia chegado.

Você se abriu para mim, eu me abri para você e nós ficamos sem ação. Relendo suas epístolas pude ver a evolução de tudo isso. Estamos vivendo uma troca de papéis. Acredito que é cedo para tal, mas quando decidi começar com tudo isso eu sabia que com o passar do tempo minhas previsões se tornariam cada vez mais incertas.

Sim, eu te ajudei a descobrir muita coisa com minhas apreciações, mas você me ajudou muito mais. Ajudou-me a descobrir toda a humildade que faltava para eu ser mais nobre e menos falível. Você conseguiu isso apenas com o seu silêncio. Ás vezes o silêncio diz mais do que um milhão de palavras e frases bem articuladas.

Desde o começo eu demonstrei que sabia exatamente o que estava fazendo e aonde queria chegar. Mas tenho que admitir que essa não era verdade. Minha segurança era apenas fachada. Eu nunca soube exatamente o que eu queria. Por essa você não esperava, não é mesmo? Nem eu.

Eu não esperava que um dia eu me visse sem saída e tivesse que admitir isso. Mas como eu já disse, a previsão está cada vez mais difícil para nós. Não sou mais eu quem dou as cartas. Não posso mais ditar regras e criar normas.

O mestre agora és tu e eu estou aqui, nua e de pernas abertas para ti.
Possua-me.

A Remetente.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O mundo está mudo hoje.

Só o desassossego fala.
Só o Caio fala:

"Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressivo e tal. É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso."

[Caio Fernando Abreu]

.
.
.
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E ele tem razão

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Kein Zurück

Wolfsheim - Kein Zurück

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Real, Visceral e Estranho

Por todos os lugares que passei, dentre todas as pessoas que conheci, concluo que eu prefiro as pessoas reais. Pessoas reais não seguem tendências, não precisam fazer “uma linha”. Elas simplesmente são. E ser é diferente de estar (creio que é por isso que eu prefiro as línguas que expõem essa diferença).

Por outro lado, gosto da diferença. Talvez porque eu me considere diferente. Agora, por exemplo, estou escrevendo esse texto bebendo leite e não cerveja. Não é intrigante?

Eu amo leite. Inclusive, eu faço amigos bebendo leite (o que também é intrigante). Leite alimenta, não embebeda. Leite é tão real, tão visceral, tão... estranho.

Vocês já pensaram que o leite vem de tetas? Quer coisa mais surpreendente do que isso?

Uma vez eu li que existe pus na composição do leite. Pus. Meu Deus, pus. Estou bebendo pus enquanto escrevo esse texto.

Isso é tão real, tão visceral, tão... estranho.

sábado, 1 de agosto de 2009

A fome e o amor

A um monstro

Fome! E, na ânsia voraz que, ávida, aumenta,
Receando outras mandíbulas a esbangem,
Os dentes antropófagos que rangem,
Antes da refeição sanguinolenta!

Amor! E a satiríasis sedenta,
Rugindo, enquanto as almas se confrangem,
Todas as danações sexuais que abrangem
A apolínica besta famulenta!

Ambos assim, tragando a ambiência vasta,
No desembestamento que os arrasta,
Superexcitadíssimos, os dois

Representam, no ardor dos seus assomos
A alegoria do que outrora fomos
E a imagem bronca do que inda hoje sois!


[Augusto dos Anjos]

terça-feira, 28 de julho de 2009

...

Sabe, 45 abraços seriam ótimos, mas o que eu queria mesmo era me encontrar.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A Solidão


Ás vezes a solidão me faz sentir só, às vezes não.
Às vezes ela é a melhor companhia e ás vezes eu sou a melhor companhia para mim mesma.
Mas hoje tenho que confessar que está sendo insuportavelmente desesperador suportar a minha presença.
Ou a minha ausência.


sábado, 18 de julho de 2009

Molten Light

She'll find you and she'll kill you

(Chad Vangaalen - Molten Light)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Não é fácil

Está sendo tão difícil deixar de querer o impossível, transformar meus sonhos em metas, diminuir meu nível de aspiração e, consequentemente, de frustração. Está sendo difícil deixar de ser assim, menos rainha, menos deusa e mais humana.
Preciso de outro planeta, esse definitivamente não me cai bem.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Epístola 10 - "A declaração"

[Nota: As epístolas são textos que possuem continuidade e ordem cronológica. Portanto, para que você possa entender, leia as epístolas anteriores aqui]


"Eu te amo". (O destinatário)


É apenas isso o que você tem a me dizer após tanto tempo? Ou melhor, é tudo isso o que tem a me dizer?

Uma página contendo apenas três palavras. Três palavras e tanto conteúdo. Vindo de você NESTE MOMENTO imagino a força dessas palavras e imagino que elas não são mais tão concupiscentes quanto antes. Estou certa?

Apesar de sentir que estamos na mesma sintonia agora, sua concisão me deixou no vazio, principalmente porque veio depois de vocábulos turbulentos e prolixos.

Confirme ou refute minha hipótese. Seja sincero comigo como sou com você, sincero o bastante como sou ao dizer que tive medo, muito medo de não mais receber uma resposta sua por conseqüência da minha sinceridade.

Agora me coloco em suas mãos.


A Remetente.

domingo, 12 de julho de 2009

Color of Pomegranates - Sayat Nova

Eu fiquei fascinada com isso.


"We are searching for a place of refuge for our love, but instead, the road led us to the land of the dead"




Color of Pomegranates - Sayat Nova

"Steeped in religious iconography, "The Color of Pomegranates" is a deeply spiritual testament to director Sergei Parajanov’s fascination with Armenian folk art and culture. It is also a controversial work, which, coupled with another of his films, Shadows of our Forgotten Ancestors, led to his arrest and imprisonment in a Soviet Gulag for four years. The Soviets insisted he was guilty of selling gold and icons illegally and committing “homosexual acts.” In reality, his only crime was offending the tenets of socialist realism, both in his daring surrealistic form and in his choice of subject matter. While many of the popular films of this era in Soviet cinema were largely propaganda designed to serve the ideological interests of the regime, Parajanov chose to focus on the ethnography and spirituality of the Ukraine, Armenia, and Georgia".

Uma crítica sobre o filme:
http://www.contracampo.com.br/87/pgsayat.htm

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sabe por que você continua vindo até mim?

Porque eu seduzo e coleciono pessoas.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Vou confessar uma coisa:

Eu morro de medo disso, ou seja, de pessoas que se pintam de capeta. Mas, por outro lado, essas coisas exercem um fascínio incrível sobre mim.

Gottes Tod - Das Ich